LOCKDOWN UM ANO DE PANDEMIA NO BRASIL

Era 26 de fevereiro quando o Brasil registrou o primeiro caso de coronavírus SRA-CoV-2 no país. Apesar de o primeiro registro só ter acontecido no segundo mês de 2020, as notícias a respeito da doença infecciosa já circulavam pelo mundo.

O ano de 2019 estava perto de acabar quando começaram a vir à tona as primeiras notícias sobre a COVID-19, que rapidamente se alastrou por todo o mundo. No dia 30 de dezembro daquele ano, autoridades de Wuhan, cidade da China, alertaram à Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre alguns casos de “pneumonia de causa desconhecida” que vinham ocorrendo na região. Seis dias depois, já em 2020, existem 44 casos da “pneumonia” registrados em Wuhan. No dia 11 de janeiro, as autoridades chinesas anunciaram a primeira morte em decorrência do vírus.

Dois dias depois do anúncio feito pela China, o vírus dá o seu primeiro sinal fora do país, quando uma mulher, na Tailândia, apareceu infectada após uma viagem a Wuhan. A partir de então, um alerta começou a se acender, e os Estados Unidos foi o primeiro país a iniciar o controle de exames em três dos principais aeroportos. Quatro dias depois, os EUA anunciaram o primeiro caso da doença, na cidade de Washington.

Um dia antes, no dia 20 de janeiro, cientistas haviam anunciado que a doença era transmitida entre humanos e a preocupação começou a crescer. Naquela altura, a doença já estava espalhada pela China, apresentando registros em Pequim (norte), Xangai (leste) e Shenzhen (sul). Apesar de, na época, a OMS ainda não reconhecer emergência global, a cidade de Wuhan foi isolada do mundo, tendo mais de 40 milhões de pessoas confinadas em Hubei, província habitada por quase 60 milhões de habitantes. No mesmo dia, a França confirmou três casos no país, dando início aos registros na Europa.

Ao longo dos dias, mais países foram anunciando os primeiros casos da COVID-19, enquanto jornais do mundo inteiro divulgavam diariamente as atualizações sobre a doença. Mesmo em meio às incertezas, o Brasil manteve confirmada uma das principais festas do país, o Carnaval, que foi realizado entre os dias 21 e 29 de fevereiro. Três dias antes da festividade acabar, o primeiro caso foi confirmado na cidade de São Paulo.

ERA SÓ O COMEÇO

Quando o Brasil anunciou o primeiro caso, a Europa já registrava centenas deles. Em março, foi declarada a transmissão comunitária no país, bem como a primeira morte em decorrência do coronavírus. No mesmo mês, com o aumento de casos, mortes e crescente número de países afetados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o mundo vivia uma pandemia.

No dia 31 de março de 2020, a universidade Johns Hopkins,- nos Estados Unidos, declarou que, desde o início da pandemia, 846.156 pessoas já haviam sido contaminadas, 41 mil mortes haviam sido registradas e mais de 176 mil pessoas estavam recuperadas. Naquele mesmo dia, a Espanha chocou o mundo ao confirmar 849 mortes no país em 24 horas.

AS PRIMEIRAS SUSPENSÕES DE ATIVIDADES

No dia 11 de março de 2020, o Distrito Federal foi a primeira unidade da federação a estabelecer as medidas de distanciamento social, suspendendo, durante cinco dias, as aulas nas redes públicas e privadas de ensino e alguns outros eventos. Após alguns dias, também foram suspensas atividades no comércio, incluindo restaurantes, bares, lojas, salões de beleza, etc. A partir de então, os demais estados também começaram a tomar medidas de quarentena.

As ações, que inicialmente deveriam durar alguns dias, estenderam-se por meses, na mesma proporção em que os casos e mortes aumentavam no mundo, e no Brasil, tornando a situação em um cenário de guerra.

AÇÕES GOVERNAMENTAIS

No dia 22 de março de 2020, o Governo Federal anunciou uma medida provisória para flexibilizar as regras trabalhistas, abordando tópicos como teletrabalho, férias individuais e coletivas e bancos de horas.

Durante as medidas de combate a COVID-19, a Força Nacional foi autorizada a apoiar o Ministério da Saúde auxiliando no funcionamento dos hospitais, controle sanitário, realização de exames médicos, etc.

No início de abril, entrou em vigor uma medida provisória que estabelecia o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, permitindo a suspensão de contratos de trabalho, além da redução salarial e a redução de jornada de trabalho para evitar as demissões. Um dia depois, também foi anunciado o auxílio emergencial no valor de R$ 600 durante três meses, para ajudar o trabalhador informal em meio à crise.

PRIMEIRO LOCKDOWN NO BRASIL

O primeiro bloqueio total (lockdown) no Brasil, aconteceu no Maranhão, quando o estado instaurou a paralisação total das atividades não essenciais, com exceção de atendimento médico, farmácias, supermercados, serviços de alimentação (delivery), portos e indústrias.

Outros estados seguiram o mesmo exemplo e grande parte do país entrou em isolamento social rígido, com o objetivo de conter o avanço do coronavírus.

FIM DE 2020

No dia 31 de dezembro de 2020, o Brasil chegou ao total de 194.949 mortes por COVID-19. O país terminou o ano respondendo por 10,8% das mortes provocadas pela doença no mundo e 9% do total de infectados, ou seja, dos 83 milhões de casos registrados no ano passado, 7.675.973 foram no Brasil.

Antes do final do ano, os estudos para vacina contra a COVID-19 já estavam avançados e diversos países ao redor do mundo davam início à vacinação. No Brasil, a expectativa era iniciar a vacinação em janeiro de 2021, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial da CoronaVac e da vacina de Oxford.

O INÍCIO DE UM NOVO CICLO

Em 2021, o Brasil começou a vacinação dos grupos prioritários, incluindo profissionais da saúde e idosos. No entanto, a doença continuou avançando, além de apresentar uma variante. Neste ano, o carnaval foi cancelado.

Mais uma vez, no início de março, novas medidas de isolamento rígido foram anunciadas e governadores decretaram lockdown em diversos estados do país, sendo permitido apenas o funcionamento de serviços essenciais. O que mais uma vez levantou o questionamento: o que é e não é essencial para a sobrevivência?

POLÊMICAS ENVOLVENDO SUPERMERCADOS

Os supermercados, desde o início, são considerados serviços essenciais, não sendo obrigatório fechar as portas durante o isolamento rígido. No entanto, muitas questões foram levantadas ao longo deste ano no Brasil por causa da COVID-19, desde aumento nos produtos nas gôndolas até proibições de funcionamento de determinadas seções dentro das lojas.

Uma das medidas que mais causou polêmica foi a proibição, no Rio Grande do Sul, dos supermercados comercializarem produtos considerados não essenciais. Ou seja, caso um supermercado venda dentro de sua loja um produto que não é essencial, ele terá que tirá-lo na prateleira.

IMPACTOS DA PANDEMIA

Após mais de um ano de pandemia, são incontáveis os impactos sociais e econômicos que estão sendo enfrentados e ainda reverberarão a longo prazo. Para entender um pouco mais sobre como a pandemia da COVID-19 impacta a sociedade, o economista Mário Holanda, foi convidado para refletir a respeito do assunto.

OPINIÃO DO ESPECIALISTA

Um ano de Pandemia e nosso enfrentamento.

Agora na semana do feriado de São José 19 de março de 2021 completaremos um ano de pandemia do Covid 19 no Ceará. Há um ano a incerteza era muito grande e não sabíamos o tempo de duração e estávamos por vislumbrar os desdobramentos em nossa sociedade, de uma nova economia, ações de saúde; a questão emocional, e a busca da vacina (…)

Passado um ano ainda temos muitas perguntas sem respostas e a persistência das mais intrigantes ainda rondam a nossa vida: como surgiu o vírus? Qual o seu propósito? E até quando? Apesar de ainda termos que enfrentar muitas batalhas contra este inimigo invisível, estamos mais fortalecidos para os embates. Não somente pela decodificação genética, as sete vacinas desenvolvidas em tempo recorde, o melhor manejo para lidar com a doença nos hospitais e o nosso comportamento com as ações sanitárias recomendadas de uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social. Mas sim por conhecermos mais sobre este vírus. Nesta batalha estamos ainda percorrendo a máxima de Sun Tzu (544-596 AC) na busca do autoconhecimento e conhecimento do inimigo para a superação das batalhas vindouras: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”. Estamos no início das batalhas com o oponente invisível.

O que no início parecia ser algo de curto prazo até porque a esperança na vacina era a resposta definitiva e iminente para o enfrentamento ao vírus. O que não deixa de ser uma verdade inconteste, só que agora não cabe mais o termo definitivo, em função das mutações exponenciais do vírus e seus desdobramentos deletérios. No início o lockdown muito criticado, principalmente em função de seus efeitos na economia, passou a ser ferramenta necessária provada em todo o mundo para ajudar no combate a rápida disseminação do vírus. As ações sanitárias, fiscalizações de governo e a cobertura vacinal são as armas atuais para este embate.

Aqui no Brasil não poderia ser diferente. A ação negacionista de alguns, especialmente lideranças e agentes de governo, bem como a politização do combate ao vírus e a procrastinação em acolher a vacina estão criando elementos complicadores adicionais para nós superarmos este quadro bizarro em que nos encontramos hoje: calamidade na saúde e na economia. É preciso enfrentar com diligência e atitude o problema, todos nós, lideranças e governo. Como afirmava Churchill: “A coragem é a primeira virtude do estadista. Sem ela, todas as outras virtudes desaparecem na hora do perigo.”

Quando estamos diante de uma realidade inexoravelmente real e cuja força é muito grande, nossa reação de pronto deve ser o enfrentamento com determinação e adaptação:

realidade pode ser perigoso e colocar em perigo outros de nosso convívio. O engajamento para o enfrentamento é pessoal porém os efeitos são coletivos. O não cumprimento das medidas sanitárias, a negação, a não vacinação, põe em risco o próximo. Enquanto o engajamento ajuda e fortalece a todos. A questão mental é outro elemento grave. A oração ocupa um lugar seminal. A oração que traz esperança é a chave para o fortalecimento psíquico. Estes dois elementos criam a fé, virtude essencial para nossa caminhada: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho. Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” (Hebreus, 11,1- 3). Para os puramente cientistas seria trabalhar principalmente um objetivo para a vida, como diria o psiquiatra Viktor Frankl, fundador da logoterapia, em seu livro Em Busca de Sentido (1946).

GOVERNO E SOCIEDADE

No campo dos governos a atitude esperada é buscar sempre atuar no fortalecimento da saúde, adquirir e aplicar vacinas e trabalhar o futuro incerto e desafiador com determinação e positividade. O auxílio emergencial, a renda, a cultura, seja lá que nome venha a ter deixa de ser uma realidade sazonal para ser orçamentária, ou seja, presente em vários momentos. O que para os governos é desafiador pois não fazia parte do custeio da máquina e agora sua prática é mandatória para manter a economia ativa. Devendo ser dosado, e calibrado de tempos em tempos. O auxílio ou pacote de incentivo dos governos não deve ser ad aeternum, mas aplicados quando necessários. A taxa de desemprego que encerrou o ano de 2020 em 13,5% da PEA (IBGE); ações de lockdown; cenário de incerteza para alguns setores da economia como serviço, viagens e entretenimento; e outras perspectivas negativas; instigam os governos seja federal, estadual ou municipal, a atuarem como agente transformador deste descompasso. Além de buscar outras medidas de incentivos como os subsídios fiscais, e diversas políticas de atração de negócios. Por sua vez, as empresas e famílias também devem ter atitude positiva e assumir também o protagonismo da superação, atuar no fomento a novas oportunidades, a buscar alternativas. Não somente ações caritativas, e de responsabilidade social, mas iniciativas para desenvolver parcerias e oportunidades geradoras de emprego e renda.

-No mundo dos negócios são quatro as palavras de ordem: (a) inovação acelerada; (b) resiliência; (c) digitalização; (d) adaptação.

A inovação já vinha sendo cultivada ao longo dos últimos anos, com a disseminação de uma cultura de inovação tanto na criação de novos produtos e serviços, quanto em processos. Incentivo ao surgimento de Startups, agentes de incubação e os vários hubs de inovação que foram criados recentemente. Em função da dinâmica acelerada de transformação que o mundo vem passando, com os aplicativos APPs e as novas relações na sociedade, o mundo novo intitulado VUCA (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade). Exemplo a geolocalização por acesso GPS por satélite e atualmente o acesso via adesão e comportamento de compartilhamento com o aplicativo Waze. Este movimento significou em pouco tempo a derrocada da gigante empresa de celulares finlandesa a Nokia.

Resiliência nunca foi tão necessária e disseminada. Tanto na constituição dos negócios como no comportamento dos empresários, empreendedores e agentes de transformação (trabalhadores como um todo). Resistir e buscar alternativas. Melhor do que o aço que tem na sua propriedade máxima a resistência; a resiliência está em resistir aos impactos e se adaptar. E o caso do material aplicado agora nas telas de celulares, material C60, composto de grafeno e nitreto de boro. Ou a resiliência observada num simples pé de coqueiro plantado junto a fortes correntes de vento cujo caule vai se moldando e sendo ajustado à medida da força e direção dos ventos;

Digitalização é uma das características essenciais para quem busca a sobrevivência e resiliência no mundo dos negócios. Tornar o seu negócio mais digital talvez tenha sido um dos comportamentos mais praticados com a pandemia. As empresas descobrindo o mundo do delivery via internet, os ambientes B2B, o crescimento do Market place do Mercado livre, as compras via site da Amazon. Restaurantes que antes tinham o serviço do delivery terceirizado e como uma presença de nicho; agora criando os seus próprios sites de entrega, o virtual tem agora um protagonismo atuante…O que pode inclusive vir a destruir modelos de negócios tipo iFood; caso não consiga encontrar transformação de forma acelerada. A Internet tem ocupado papel importante no mundo dos negócios e nas relações com o consumidor, a relação virtual que era acidental agora assume papel vital proeminente;

Por último a palavra adaptação como uma característica inerente ao ser humano. Já dizia Charles Darwin que não são os mais inteligentes ou os mais fortes que sobrevivem ao longo dos tempos, e sim os mais adaptáveis. Todos nós temos esta virtude. Resta-nos a decisão de praticar a força de coragem e coragem de fazer força para esta adaptação, que requer energia, trabalho, disposição, criatividade, para buscar alternativas. Novas veredas, a imaginação e as novas atitudes para soluções novas. Como as vendas pela internet dos lojistas que antes não imaginavam prescindir da presença física do cliente em sua loja e agora estes clientes e muitos outros se encontram e compram pela internet. As reuniões, aulas e encontros presenciais agora realizados via Zoom, Skype, Teams, ou Google Meeting. Como as próprias vacinas da esperança, as diversas vacinas contra o Covid 19. Cada uma delas com uma tecnologia própria, algumas com tecnológias inovadoras como a da Pfizer/BioNTech (com a tecnologia do RNA mensageiro). Prova cabal da adaptação do homem em desenvolver uma vacina eficaz num espaço de tempo antes inimaginável e com uma diversidade incrível de fabricantes. A realidade é que mais de uma vacina foi feita num espaço inferior a um ano. Somos capazes sim de superar e vencer os desafios que se apresentam para nós, seja na esfera psíquica e/ ou no mundo dos negócios. É preciso ter coragem para enfrentar e atitude para transformar.

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