Cresce interesse de brasileiros por alimentos que ajudem na saúde e na imunidade

A preocupação crescente dos consumidores com a saúde ganhou novos contornos com a pandemia da Covid-19 e reforçou o interesse por alimentos que ajudem a aumentar a sua imunidade. Pesquisa recente realizada pela Mintel no Brasil aponta que 36% dos entrevistados declararam ter consumido mais alimentos e bebidas com benefícios à imunidade, com ingredientes específicos, independentemente de classe econômica.

“Agora, os consumidores querem um alimento que não só represente uma alimentação saudável, mas que dê garantias de que sua saúde não será colocada em risco. Ele quer ter a certeza de que aquele alimento não lhe causará prejuízos”, reforçou a Analista de Tendência Sênior na agência de inteligência de mercado Mintel, Vanessa Rondine, na sua palestra na abertura do fórum digital DR Tá na Mesa – Oportunidades em meio às Mudanças, com foco no tema “Mercado e tendências: um novo olhar para alimentos e bebidas”, realizada em 13/7.

Ao mesmo tempo, em busca de compensações em meio a este cenário de distanciamento social, houve um aumento dos consumidores na busca por alimentos e bebidas que proporcionem conforto emocional e bem-estar, abrindo oportunidades para esses tipos de produtos. Segundo Vanessa, 18% dos brasileiros entrevistados pela Mintel durante a quarentena afirmaram ter consumido comida ou bebida que os ajudou a lidar com a ansiedade.

A Gerente de Contas da agência de inteligência de mercado Nielsen, Caroline Borba, apresentou análises da movimentação do mercado brasileiro durante os primeiros meses da pandemia, durante o evento promovido pela Duas Rodas.

De acordo com Caroline, foi possível observar dois momentos marcantes neste cenário: uma fase pré-isolamento, quando houve um forte abastecimento e as vendas alcançaram índices até maiores que na Black Friday, puxados principalmente pela categoria de alimentos básicos. E, depois, uma volta à uma certa normalidade.

“Nossas análises mostraram que 37,5% das categorias de alimentos ganharam força e 18% passaram a crescer neste período. Aí existe uma oportunidade para os fabricantes, porque as pessoas estão consumindo mais em casa, elas estão adquirindo novos hábitos. É preciso estar atento a isso e oferecer produtos que atendam a essas demandas”, afirmou a executiva da Nielsen.

Digital: se adaptar é questão de sobrevivência

Ambas as especialistas foram categóricas ao afirmar que o uso da tecnologia e de ferramentas digitais se tornará cada vez mais forte e necessário. E para além da importância que o e-commerce de alimentos ganhou neste período, a digitalização se fará presente em todos os níveis de consumo. “Não só na questão de delivery, mas na maneira de pagamento e de outras formas que garantam mais conveniência e segurança. Esses comportamentos não vão se perder a longo prazo, com o fim da pandemia”, reforçou a analista da Mintel.

“Muita gente usava o online para fazer pesquisa. Agora é para pesquisa e compra. A ferramenta da realidade aumentada para o consumidor entender melhor o produto que irá comprar pela internet também já está sendo utilizada, por exemplo. Isso tudo vai permanecer”, acrescenta Caroline. Para ela, esse movimento representa mais uma oportunidade para varejo e indústrias aprimorarem suas plataformas digitais e oferecerem uma melhor experiência ao consumidor.

Agilidade de reação às mudanças

A necessidade de ser ágil para reagir às mudanças provocadas pela pandemia foi outro consenso entre as profissionais da Mintel e da Nielsen. Para elas, esta é uma das lições mais importantes que varejistas e industriais devem tirar dessa situação.

“O mundo está mudando muito rápido, mas ainda estamos despreparados. As empresas deverão ficar cada vez mais antenadas com o que pode ser uma demanda do consumidor e se antecipar. É necessário se reinventar rapidamente. Já temos produtos com novas roupagens num prazo muito curto, por exemplo, mas ainda há diversas oportunidades pensando nessa nova realidade de consumo em termos de embalagens e sabores, entre outros”, afirmou Caroline.

Vanessa concordou: “É preciso dar uma resposta rápida aos desafios. A gente sabe que as empresas costumam ter uma estrutura um pouco mais burocrática, então a gente precisa agilizar os processos, estar antenado ao que está acontecendo. É importante também abordar a inovação de forma mais prioritária. Criar centros de inovação dentro das empresas para acelerar testes de produtos, prototipar novos conceitos. É preciso estar pronto e olhar para inovação de uma forma mais verdadeira, fazendo com que ela aconteça na rapidez necessária”, defendeu.