Como o PIX apoiará o varejo brasileiro?

Em fevereiro de 2020, o Banco Central (BC) anunciou o lançamento do PIX, um novo meio de pagamentos e de transferência instantânea, realizado em até 10 segundos pelo celular. Essa tecnologia surge com o objetivo de promover mais agilidade quando comparada às operações tradicionais como TED, DOC e boletos, que podem levar cerca de dois dias para serem concluídas.

O PIX tem um grande potencial de reformular os tradicionais meios de pagamentos, que envolvem as empresas adquirentes, bancos emissores e gateways. Isso porque, permitirá a redução de custos nas operações financeiras, tantos das pessoas como do comércio.

A inclusão do PIX será obrigatória para as instituições financeiras e de pagamentos autorizadas que possuam mais de 500 mil contas ativas. Já para as menores será optativo a inclusão e deverão conectar-se indiretamente, por meio das empresas plugadas ao sistema. Aproximadamente 1.500 fintechs já solicitaram a habilitação para operar com o novo meio de pagamento, sendo que, até o momento, quase 1.000 já foram aprovadas pelo BC.

Diante de todo o debate e perspectivas sobre o PIX, o setor varejista é o que mais deve ser favorecido devido à sua praticidade de uso e por não oferecer dificuldades no processo de adesão. A solução traz iniciativas de um meio de pagamento acessível para quem paga e para quem recebe.

Facilidade e menores custos

 

Além da transferência de pessoa para pessoa (P2P), a tecnologia realizará transações por recolhimento de guias da União e QR Code, sendo essa segunda utilizada pelas lojas físicas. O processo de venda por código é igual à uma compra convencional em débito, sendo que toda a transação ocorrerá pelo celular do consumidor.

Para o comerciante realizar a venda, por exemplo, ele deverá instalar e habilitar a solução PIX no celular. O sistema criará um QR Code no valor do que está sendo vendido e esse mesmo código será enviado para o PIX do cliente para fazer a transferência e a conclusão da compra. Toda a transação ocorre por um e-wallet (carteira digital) de maneira simples e rápida.

A tecnologia causará importantes mudanças nos pagamentos tradicionais por transferência bancária, débito ou dinheiro em espécie. O foco inicial é a substituição do uso de papel moeda, oneroso ao sistema e, muitas vezes, inseguro ao lojista. Acredita-se também que o PIX poderá afetar o uso dos terminais POS de aceitação de cartões. Contudo, este efeito não deverá ser imediato ou mesmo significativo, já que para vender, é preciso dispor de meios aos quais o comprador queira pagar. A amplitude de aceitação no fluxo de compra é uma característica conquistada pelos consumidores e comerciantes no Brasil.

A modalidade PIX é, sem dúvidas, mais uma forma de inclusão para pequenos comércios e entrantes no mercado, sem eliminar outras maneiras de venda. A tecnologia vai agregar um novo modelo alternativo de negócios ao mercado brasileiro.

Quanto às taxas do PIX para as lojas, cada prestador de serviço (PSP) - bancos e outras instituições de pagamento -, definirá como o novo sistema será cobrado dos clientes, sendo validada e fiscalizada pelo Banco Central. A instituição financeira pública também cobrará dos PSPs uma pequena taxa (ainda não definida) pelas transações, focada na manutenção e constantes atualizações do sistema.

Melhorias dos serviços e aumento da bancarização

 

O PIX visa ampliar também a competividade e, principalmente, a abertura de negócios inovadores do setor financeiro, já que as empresas deverão oferecer serviços que correspondam e facilitem à vida das pessoas e lojistas. Como exemplo de inovação, há o recente "bank as a service" (banco como serviço), em que a pessoa cria sua carteira digital, sem precisar de conta corrente, para fazer os pagamentos com a nova tecnologia.

Outro ponto de atenção para novos empreendimentos refere-se à amplitude de informações transacionais em tempo real que o PIX proporcionará. Além da transferência bancária, existe um agregado de novas informações relacionadas ao pagamento, que poderão gerar base de conhecimento para ofertas de novos serviços, como o Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), que armazena e identifica a pessoa que receberá o valor pelo sistema por meio do número do celular ou e-mail.

Para operar o PIX, o varejista e o consumidor deverão ter uma conta digital - banco ou fintech. Essa obrigatoriedade é uma oportunidade de incluir mais pessoas no uso dos serviços financeiros e isso atingirá, principalmente, o varejista autônomo, que terá a possiblidade de realizar sua movimentação bancária em alguma instituição financeira. O Brasil ainda sofre diante do cenário de aproximadamente 45 milhões pessoas desbancarizadas.

Digitalização e segurança

 

Hoje, uma questão importante é a preocupação com o contágio pela pandemia da Covid-19. Com o PIX, o modelo de pagamento digital no varejo será intensificado e poderá sobrepor-se em relação ao uso do dinheiro em espécie. Segundo o balanço do primeiro trimestre de 2020, da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), o pagamento por aproximação movimentou R$ 3,9 bilhões no Brasil. Diante disso, a solução surge atrelada ao novo modelo de consumidor cada vez mais digital, já que poderá realizar pagamentos contactless nas lojas físicas.

Ou seja, as empresas que sairão melhores serão àquelas que acelerarem a sua transformação digital na integração ao novo meio de pagamentos.

Entretanto, ainda existem dúvidas em relação à segurança contra fraudes pelas compras com o PIX. Uma delas é o uso do QR Code que pode apresentar fragilidades de segurança, já que existe a possibilidade de o criminoso cibernético invadir o celular do vendedor e gerar um código corrompido para receber indevidamente a transferência em uma conta distinta. Diante disso, o modelo merecerá constantes evoluções com plataformas ainda mais robustas de autenticação contra as tentativas de fraudes.

A maioria das empresas de meios de pagamentos estão trabalhando em camadas de segurança à solução, com projetos centrados e integrados aos sistemas do BC, fintechs e agentes que operam a tecnologia. Há também mecanismos de proteção nas compras online que serão reformuladas para o novo sistema, como é o caso da solução de autenticação pelo celular, que envolve o banco emissor e o correntista.

Para o projeto ter o esperado sucesso, é necessário paciência e apoio na adaptação das pessoas e, principalmente, dos varejistas, que utilizarão o PIX como aposta para obter melhores condições de vendas e redução de custos operacionais.

 

Sobre a IDid

 

IDid é uma plataforma que trabalha com um novo conceito de "consumidor presente" para o setor de pagamentos. A solução realiza transações seguras em lojas online nas modalidades crédito e débito, com acesso direto ao sistema do emissor, utilizando o modelo de autenticação do próprio banco e cumprindo os requisitos de múltiplos fatores de autenticação, exigidos por reguladores em várias partes do mundo.

Criada de forma independente por Alexandre Pi, fundador da Muxi - empresa focada em soluções para transações eletrônicas -, e Daniel Oliveira, sócio e cofundador da paySmart - fintech fundada em 2004 -, líder em tecnologia para pagamentos eletrônicos seguros para bandeiras regionais de débito, crédito e benefícios, com mais de 27 milhões de dispositivos e mais de 300 milhões de cartões emitidos. A IDid é liderada por Gastão Mattos, que conta com mais de 25 anos de atuação no setor de e-commerce e pagamentos e traz, em seu conselho administrativo, Mario Mello, ex-Presidente do PayPal para a América Latina e sócio de risco do Valor Capital Group. Mario possui mais de 30 anos de experiência em serviços financeiros e tecnologia e passa a ser o primeiro advisor da IDid.

O nome IDid significa ID (abreviação de identidade) duas vezes, pois a plataforma garante ao lojista a identidade comprovada do consumidor e vice-versa. Além disso, engloba também o conceito da expressão em inglês "I did" (eu fiz), no sentido de que somente o usuário é capaz de concluir a transação devido às tecnologias exclusivas que garantem a segurança da plataforma.