E-COMMERCE: O GRANDE PROTAGONISTA DO COMÉRCIO

Dados apresentam o crescimento do comércio eletrônico em 2020 e apontam as tendências para o futuro. Eduardo Fregonesi, CEO da Synapcom, comenta sobre o desenvolvimento do mercado

Fazer compras online, escolher os itens de supermercado por um aplicativo, pedir um jantar através do delivery foram algumas das coisas que, se antes não faziam parte da rotina de boa parte da população, tiveram um grande crescimento no último ano. O contexto gerado pela pandemia da Covid-19 mudou completamente os hábitos das pessoas ao redor de todo o mundo, ter que ficar em casa fez com que muitos aderissem às facilidades oferecidas pelo meio digital e passassem a integrá-las ainda mais no dia-a-dia.

Dessa forma, o comércio eletrônico cresceu exponencialmente, uma vez que durante muitos meses as empresas não estavam autorizadas a funcionar fisicamente ou muitas pessoas acabaram optando por sair o menos possível de casa, como uma forma de se proteger. De acordo com dados levantados pela Mckinsey & Company, uma empresa de consultoria americana, o contexto pandêmico foi responsável por gerar, em apenas 90 dias, mudanças no cenário do comércio eletrônico que antes levariam 10 anos para acontecer.

Essas mudanças puderam ser notadas ao fazer os levantamentos de dados a respeito do comportamento do e-commerce no ano passado. No relatório “O e-commerce no mundo”, idealizado pela NuvemShop, constatou-se que em 2020 o comércio eletrônico faturou U$$4,28 trilhões, com crescimento de 27,6% em relação a 2019. Os dados foram levantados a partir do eMarketer, empresa de pesquisa de mercado.

Quando comparado com as vendas do varejo como um todo, online e offline, a queda de faturamento foi apenas de 3%. Fator que deve ser considerado para entender a importância que o e-commerce teve em meio a uma pandemia, quando grande parte da população mundial ficou impossibilitada de circular nas ruas e, consequentemente, teve que recorrer às compras virtuais para se adaptar à nova rotina.

América Latina em destaque

Em dados levantados pelo Movimento Compre&Confie, onde se reúnem várias lojas do varejo brasileiro, quando comparados os resultados de 2020 aos apresentados nos primeiros três meses de 2019, o e-commerce teve ampliação de 56,8%. Dentro desse crescimento, a América Latina se destacou como a região que teve maior destaque em relação ao crescimento do mercado eletrônico, apresentando um aumento de 36,7% de acordo com dados da eMarketer.

Boa parte desse crescimento deve-se à Argentina, que fechou o ano com um crescimento de 79% neste segmento. Com as mudanças impostas pelo coronavírus, espera-se que o comércio eletrônico siga em expansão no continente. De acordo com as projeções, espera-se que ao final de 2021 o crescimento do e-commerce na América Latina, com as vendas no varejo, on e offline, seja de 6,2%. Até 2023 projeta-se que esse percentual seja de 7,1%.

Crescimento acelerado no e-commerce brasileiro em 2021

Após mais de um ano de pandemia, entre isolamentos mais rígidos e medidas restritivas de isolamento, o brasileiro já está mais do que adaptado a realizar suas compras de forma online, um hábito que deve ser mantido mesmo após o período pandêmico. Esta adaptação pode ser analisada logo no início de 2021, apenas em março deste ano o comércio eletrônico registrou 1,66 bilhão de acessos, demonstrando um aumento de 40% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Os dados apresentados no Relatório E-commerce no Brasil, divulgado pela agência Conversion, ainda mostram que dos 15 setores analisados, 10 tiveram aumento, durante o período em análise, de mais de 30%, sendo o setor de importados o que mais teve destaque, com um crescimento de 91,72%.

Entre os demais setores que obtiveram crescimento nos últimos 12 meses estão, respectivamente, Pets, com +88,04%, Casa & Móveis, +86,62%,, Farmácia & Saúde, +65,22%, Moda & Acessórios, +63,18%, e Comidas & Bebidas, +57,25%.

De acordo com dados da Ebit|Nielsen, o e-commerce no Brasil teve crescimento de 47% no faturamento de 2020. Entre as categorias que mais ganharam destaque estão os supermercados online e os itens para home office. Uma outra pesquisa da mesma empresa mostrou que, na penúltima semana de março, o varejo self-service, no qual estão incluídos os mercados, cresceu 96%.

Apesar de ser necessário entender que o crescimento do e-commerce em 2021 não deve ser tão acentuado como foi no ano passado, pela rapidez em que tudo ocorreu, é importante destacar que um novo público foi atraído para esse modelo e os que já faziam uso estão ainda mais engajados.

Por isso, a perspectiva é de um contínuo crescimento neste ano, que deve trazer um aumento de 26% nas vendas do comércio eletrônico, com faturamento em torno de R$ 110 bilhões.

Dados referentes ao crescimento do e-commerce em escala mundial, continental e nacional: Mundo: 27,6% América Latina: 36,7% Brasil: 47%

Cinco anos em um

O crescimento acelerado do e-commerce no último ano pegou de surpresa até mesmo aqueles que visualizavam os mais positivos cenários para o segmento. Não que não acreditassem na potência do comércio eletrônico, mas sim porque a pandemia trouxe um ritmo altamente rápido para o e-commerce, que passou a se adaptar a um novo mercado de vendas.

Para Eduardo Fregonesi, CEO da Synapcom, “o e-commerce era quatro por cento das vendas total pré-pandemia e ele tomou, obviamente que no início, na fase da pandemia quando tava muita coisa fechada, uma parcela maior dessas vendas. Chegou a bater vinte por cento, às vezes, mais do que isso, na venda total do varejo. Foi naquele momento em que o varejo físico não estava com a porta aberta, ele [e-commerce], se adequou para uma nova realidade, esses quatro por cento, cinco por cento, foram pra casa dos dez por cento. Então, o que a gente fala é que o e-commerce cresceu cinco anos em um, […] e ele não desce mais desse patamar”, ressalta.

Apesar desse amplo crescimento, Eduardo também aponta que isso não significa o fim do varejo físico, mas uma abertura maior para o comércio eletrônico. “Não significa que o varejo físico vai morrer, nunca, de forma alguma, mas ainda tem muito chão para o e-commerce ganhar território na compra dos consumidores”, comenta.

Na busca por conquistar esse território, mais empresas têm tido a oportunidade de entrar no mercado trazendo os negócios para o virtual. O crescimento do e-commerce é um fator visto como positivo, mas também é preciso ter cuidado ao inserir o negócio no digital, uma vez que o comércio eletrônico por si só não vai ser capaz de elevar o faturamento. Existe todo um trabalho por trás.

Para Eduardo, três pilares são importantes para uma empresa entrar no e-commerce: ter demanda, ter uma operação bem estruturada e estar disposta a fazer a venda acontecer.

“Você precisa ter muita gente entrando no e-commerce com interesse de comprar o seu produto. Considerando que a gente tem a demanda, a gente precisa de uma operação bem estruturada, uma plataforma oferecendo todas as formas de pagamento, a entrega em um time adequado, um SAC que atenda bem, para que você tenha todo esse ecossistema do e-commerce muito bem estruturado. Por fim, você precisa estar disposto a fazer a venda acontecer.”, salienta.

Três pilares para ingressar no e-commerce:

  1. Ter a demanda
  2. Ter uma operação bem estruturada
  3. Estar disposto a fazer a venda acontecer

O CEO ainda aponta para o fato de que para a indústria essa ida para o e-commerce pode ser mais complicada, uma vez que pode existir um conflito de interesse com os varejistas que já fazem a revenda dos produtos. “Muita indústria tem a demanda, tem uma boa operação de e-commerce, mas ela tem receio do conflito que ela vai ter com os varejistas que revendem e ela acaba praticando um preço no e-commerce muito mais caro porque ela já tem os varejistas que são revendedores dela sempre brigando para ela não ir direto no consumidor, e aí não adianta. Então a indústria precisa estar disposta não a ficar brigando por preço, mas ter um preço competitivo, de fato, para fazer a venda acontecer.”, aconselha Eduardo.

Atualmente são grandes os players existentes no mercado e que, de certa forma, conseguem resolver as demandas existentes, como por exemplo, o Mercado Livre, a Magalu, a Amazon e outros. No entanto, o fato de já existir a oferta por parte dos grandes varejistas não significa que outras em presas não possam entrar oferecendo os seus produtos. Com o amadurecimento do merca[1]do, principalmente no último ano, é preciso saber aproveitá-lo e oferecer o melhor para os consumidores. “A oferta existe, o que aconteceu foi que teve um amadurecimento rápido nesses últimos anos, onde você tem uma experiência de compra online muito boa e aí as pessoas que não pensavam em comprar online, principalmente as pessoas mais velhas, na pandemia tiveram que começar porque não podiam sair de casa, começaram a ter uma experiência positiva, então a pandemia acelerou as pessoas virem para o e-commerce comprar e é um comportamento natural. As pessoas começam a comprar, no ano seguinte elas compram mais vezes e assim vai. Nisso o mercado vai amadurecendo e fica cada vez melhor”, ressalta Eduardo.

Sobre a Synapcom

A Synapcom, líder em full commerce no Brasil, atua no mercado desde 2012 com o desafio de transformar e viabilizar as operações de e-commerce da indústria e do varejo. A empresa desenvolve projetos de ponta a ponta para tornar as vendas online realidade: do planejamento à gestão de canais, da escolha e operação da plataforma à integração do ecossistema digital, incluindo cadastro dos produtos, melhores práticas logísticas, SAC 4.0 e marketing digital. Tudo o que for necessário para a excelência na operação do negócio.

Os planejamentos são personalizados, e os clientes contam com a expertise da equipe Synapcom, que oferece o know how, tecnologia e infraestrutura para a implementação e integração da operação do e-commerce. Com um portfólio composto por mais de 60 clientes, a empresa trabalha com os maiores players do mercado e da indústria, bens de consumo, cosméticos, moda, entre outros — um grande diferencial que mostra competência para lidar com as diferentes especificidades que cada segmento exige. Entre as empresas que já operam seus negócios digitais com apoio da Synapcom estão: Samsung, Philips, L’Oréal, Goodyear e Diageo. Referência do segmento no Brasil, a Synapcom também atua no Chile, no México e na Colômbia e atualmente trabalha na expansão de suas operações para a Argentina.

Além de toda a estrutura digital, a Synapcom conta com dois centros de distribuição no estado de São Paulo, um em Itapevi, e outro dentro da operação da Samsung em Cajamar — totalizando 35 mil m² de armazenagem. Ainda oferece a solução de dark store em São Paulo para aumentar a agilidade na entrega dos pedidos na cidade. Desde sua fundação, a empresa já conta com mais de mil colaborado[1]res, mais de 3,5 milhões de pedidos e 8 milhões de itens movimentados por ano.

Sobre Eduardo Fregonesi:

Antes de co-fundar a Synap[1]com, Eduardo também participou da fundação do Shop2gether, onde foi diretor comercial. Formado em administração pela Universidade de São Paulo, possui especialização em Business Administration pela London School of Economics and Political Science (LSE). À frente da empresa, conquistou prêmios de diferentes entidades do setor: Melhor Operação em E-commerce pelo E-commerce Brasil e Melhor Gestão de E- commerce pelo E-awardsde E-commerce pelo E-awards.

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